O Macaco Nu
O homem viu atrás do arbusto o que parecia muito ser uma possibilidade de crítica. Entendam, uma crítica pode ser um bicho pequeno, mas pode não ser e devorar a gente. A crítica no subterrâneo do homem não era um bicho pequeno. Ela estava ligada ao impossível pressuposto de que ele, talvez também um bicho muito pequeno, não podia ser fraco, não podia errar, não podia distrair-se, não podia tropicar, não podia rir de si mesmo sob pena cruel da retirada do amor. Então, o instinto de autossobrevivência do homem entrou em standby por segurança. Eriçou os pelos das costas, retesou os músculos e colocou seu hiper foco no bicho atrás do arbusto que sim, agora ele tinha absoluta convicção de que era uma crítica. Entendam, o homem não podia deixar que ela crescesse dentro do peito e desenvolvesse mandíbulas fortes e cheias de dentes e avançasse sobre o pequeno bicho indefeso que ele não podia ser. O homem estava ameaçado. O homem precisava contra-atacar. Li uma vez em um livro do bió...

Lindo, Nanna. Saudades. Carlos.
ResponderExcluirsigo teu blog com carinho e interesse. agora não perca mais as oportunidades de dizer que a gente gosta de alguem, antes que ela fique sem saber disto...
ResponderExcluirabraços e força nos renascimentos
Pedro Fontes
Nanna, isso não foi um texto. Foi música de orquestra, arrebatada, em estado, sólido, estado de palavra. Uau! Ouvi toda a força por trás das frases...
ResponderExcluirnascer é muito comprido, como diz o poeta.
Bravo!!
Tenório
Crise de meia-idade. Se ataca os homens aos enta não posso deixar de questionar se a alma da mulher tem a mesma idade cronológica do corpo. Desde os doze tenho pelo menos uma por ano. Curioso é que não morri aos vinte e poucos. Ou talvez eu tenha. Talvez eu morra um pouquinho em cada uma delas. Não reconheço essa moça no espelho mas confesso que simpatizo com ela. Gostei do corte de cabelo. Sempre quis um assim.
ResponderExcluirNanna, seu texto veio complementar o filme "Homens e Deuses" que também me impressionou muito. Arrebatador!
ResponderExcluirAgora quero o renascimento pós Páscoa.
Beijos.
Ernê