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Mostrando postagens de Maio, 2018

Somos Nós

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Somos nós. No pior sentido de nós.

Nós agarrados ao colar de diamantes enquanto o Titanic afunda.

Nós pedindo que nos enganem com promessas doces e inviáveis.

Nós aceitando estojo de maquiagem pra disfarçar a ferida que precisa ser operada.

Nós agarrados a corporativismos anacrônicos de todas as espécies.

Somos nós um pouco sindicalistas, um pouco pecuaristas, um pouco evangélicos.

Jogando o jogo do “farinha pouca, meu pirão primeiro”.

Nós e esta burrice repetitiva de acreditar que estamos do lado do herói da vez.

Somos nós jogando o jogo do me engana que eu gosto.
Abraçando a incoerência escarrada do eu sou legal mas meti a mão na grana pública, eu sou legal mas prego surra em criança homossexual, eu sou legal mas fecho os olhos para a bandidagem do meu amigo.

Somos nós e esta condescendência no estupro.
Esta condescendência com o estuprador seja ele de esquerda, direita, centro, da beiradinha ou da sala da minha casa.

Somos nós e esta falta de fé na dignidade de fato, no respeito de…

Caríssima Escassez

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Miséria mais cara é a miséria dentro. Carrego uma. É raro, mas ainda me pego pensando se as ideias não acabam. Se não devia economizá-las, estocá-las, guardá-las para amanhã. Já superei, é verdade, o tempo de achar que a coisa criada é minha. Já entendi que todas as frases belas que me acometem passaram antes pela cabeça de um poeta egípcio há milhares e milhares de anos e por milhões de outros poetas desde então. Já sei que aquele poema redondo brotado do nada veio de alguma sementeira que não me pertence, instalada além desta minha vidinha. Cada vez menos tenho apego às obras que saltam pra fora dos meus poros. E quanto mais as deixo passar sem segurar, mais elas chegam. Não quero tê-las, vendê-las... Meu primeiro impulso é sempre jogá-las janela afora onde tiver qualquer montinho de terra fértil. Só depois junto algumas num livro por conta de um certo fetichismo que tenho por livros de papel. Mas carrego ainda uma brasa acesa de escassez. A danada resiste à generosidade implacável…

Aonde você vai?

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Aonde você vai quando eu te liberto Não é aonde você vai, mas onde eu fico Não é a sua praia, mas o meu deserto
Aonde você vai, seja com quem for Não é sobre o seu prazer, seu eterno Mas sobre a minha dor
Aonde você vai não é um endereço É o abraço que me faltou O abraço que não me dou pois não mereço
Aonde você vai é a pergunta ôca Que nenhuma resposta satisfaz E devora a paz quando sai da minha boca. *
Para Ma e Ju.
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