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Mostrando postagens de Maio, 2009

Eternidade

O último ser humano tombou sobre a terra, morto. De joelhos, sobre a terra, caíram milhares de anos de história. A saga de um bicho estranho terminou. Nunca mais palavras humanas - uma boca humana cheia de sons. Agora outros bichos... que talvez já estejam por ali enquanto esfria o corpo do último ser humano. (Quem serão eles? Os que vão achar nossos ossos, nossas cidades vazias, nossos restos.... Terão cinco dedos? Dois? Doze?) O último cérebro humano. Os últimos impulsos nervosos trazendo do olho a última imagem vista por nós que eu, infelizmente, nunca saberei. Ele caiu. Por quê? Não importa, há milhões de motivos para se acabar. As estrelas ficarão com saudades das nossas escadas cada vez mais altas que nunca chegavam, mas vão pensar que, em compensação, haverá menos lixo no espaço. Não. Sinceramente as estrelas não sentirão nada, a poesia estará extinta... Teremos acabado enfim, e é só. Ele está lá caído, eu o vejo, me aproximo dele, percebo que já esfriou. Sigo então rodopiando …