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Mostrando postagens de Setembro, 2016

Amar não basta

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Amar não basta. Gravo a mensagem no whatsapp e envio para a amiga. É uma faca no estômago, eu sei. Tantas pessoas se separam se amando. Eu mesma já fui embora arrastando o coração pelos cabelos umas duas vezes. Doloroso demais. Cruel demais. Mas acontece de as possibilidades se esgotarem, de fato. Acontece de precisarmos estar sós naquele trecho da estrada. Acontecem estradas diferentes com interseções que nunca mais se repetem.  Acontece de a dor ficar insuportável. E então a morte se impõe, mas nem sempre a aceitamos de pronto. Acontece de, primeiro, tentarmos blefar o adeus. Vivenciar o fim com a certeza de que o navio não deixou o porto. Ir sem ir. Começa o vai e vem sofrido: separa e uiva de dor, volta e uiva de prazer. Nada como voltar do fim: uma bomba de serotonina. Mas a volta não é inteira, não é a que planejávamos, e logo a falta se apresenta, e a dor retoma o palco e ensaia um novo adeus. Amar não basta, amiga. É preciso amar-se junto. Senão o outro vira eterna ameaça de …

A Duquesa é o Máximo

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A princesinha é um porre. Ela quer ser convidada para o baile no palácio. Vive com o foco no palácio porque onde ela está, e pode até ser numa faculdade em Harvard, é o borralho. Ela vive aprisionada numa torre esperando o príncipe encantado. Conhece todos os tijolos da torre da neurose, não faz uma corda com os lençóis da cama e pula fora. Fica na janela de pedra fria olhando o horizonte para ver se ele aparece, o príncipe. E, de vez em quando, ele vem. Só que, muitas vezes, está fazendo outra coisa mais interessante do que se pendurar nos cabelos dela: ele não é coadjuvante do seu teatro, tem o próprio espetáculo. Ai o bicho pega e a torre se enche de abandono. A princesinha porre é dedicada à sua fantasia: passa a vida beijando o sapo pra ele, em algum momento vira príncipe. Nem enxerga o pobre sapo. Podia até ser um batráquio raro, com uma língua muito maior e mais esperta que a do príncipe. Não, não e não: quer o conto de fadas a qualquer custo. Tolera, em sua espera inútil, o s…