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Mostrando postagens de Julho, 2015

2.0 Wireless

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O rapaz sentado à minha frente, um respiro, uma brisa de futuro bom. Uma geração menos fominha, falando em coletivos, em softwares livres, em dividir, em destrancar. Como se o pêndulo chegasse ao extremo do egoísmo humano e começasse sua viagem de volta. Sem o afetamento dos candidatos a gênio do meu tempo, gente competitiva demais, achando que o mundo era corrida de cavalo. Sem a necessidade de medalha, de prêmio pra colocar no currículo, sem pós, sem MBA, sem nem curso superior ainda, mas já senhor de um conhecimento útil. Desinteressado do ensino formal, nadando em mainframes e saindo de lá com o caminho do fazer. Achando fácil fazer. Falando em resgatar o fácil no cotidiano, desembolar tantos fios que inventamos para nos mantermos de pé. Ser humano geração 2.0 wireless. O rapaz tomando seu café com sorriso e avisando: vai mudar o mundo. E vai mesmo porque é leve e fluido como uma chuva de pixels num céu de LCD. Isto: ele é de outro universo onde eu não cresci e se intitula um fab…

Pobre menina pobre

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Finalmente descobri por que não sou rica. Minha mente não sabe ser rica. Foi educada para a pobreza. Produz pobreza o dia inteiro. Midas às avessas, transmuta todo ouro que toca em escassez. Aferra-se a vinténs. Tem orgasmos diante de tabuletas de descontos. Não sabe ter. Mesmo tendo, segue na miséria. Escassez interna, atávica, desprazer em gastar, obstinação pelo barato. Moto-contínuo que me mantém ligada à minha infância, a meus pais.  À criança que guarda no bolso do short a foto vincada e rota da geladeira vazia. Criança do short sujo, da camiseta rasgada, dos pés no chão. É ela quem dirige o carro caro que tenho. Dirige, mas não sente. Anestesiada pela culpa. Exultante por fazer sacrifícios. Gata borralheira travestida de princesa, incomodada com coroas e sapatinhos de cristal. Não pode ser rica. Não posso. Iria trair meu passado, meus antepassados. Então me afasto das possibilidades de ganhar grana, penso mil vezes antes de cobrar pelo meu trabalho o que ele vale, mas que me p…