2.0 Wireless

Fab Lab House em Madrid
O rapaz sentado à minha frente, um respiro, uma brisa de futuro bom. Uma geração menos fominha, falando em coletivos, em softwares livres, em dividir, em destrancar. Como se o pêndulo chegasse ao extremo do egoísmo humano e começasse sua viagem de volta. Sem o afetamento dos candidatos a gênio do meu tempo, gente competitiva demais, achando que o mundo era corrida de cavalo. Sem a necessidade de medalha, de prêmio pra colocar no currículo, sem pós, sem MBA, sem nem curso superior ainda, mas já senhor de um conhecimento útil. Desinteressado do ensino formal, nadando em mainframes e saindo de lá com o caminho do fazer. Achando fácil fazer. Falando em resgatar o fácil no cotidiano, desembolar tantos fios que inventamos para nos mantermos de pé. Ser humano geração 2.0 wireless. O rapaz tomando seu café com sorriso e avisando: vai mudar o mundo. E vai mesmo porque é leve e fluido como uma chuva de pixels num céu de LCD. Isto: ele é de outro universo onde eu não cresci e se intitula um fabricante. Palavra despretensiosa, sem os excessos dos especialistas em tudo e seus currículos infinitos. Sem a prepotência dos experts. Provando que o conhecimento não é de poucos, não é caro, nem chato, e está ai mesmo, debaixo do nosso nariz e acima do teclado. Esta a grande revolução que a tecnologia nos deu: um oceano de conhecimento em disponibilidade para todos. Convite urgente para repensarmos nossa educação, despejo de decorebas inúteis. Nossas salas de aula que matam crianças de tédio. Onde o conhecimento tornou-se vitamina de gosto ruim que somos obrigados a engolir para amanhã concorrermos com a turba a um lugar ao sol. O sol frio de um ser humano automatizado. O conhecimento, mastiga o jovem junto com um biscoito de nata, é a grande aventura do fazer, e é um parque que dispensa passaportes. Então nos despedimos, e ele se vai subindo uma escada invisível, de degraus que surgem sobre seus pés, para o céu, que não é mais longe.
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