Coragem cenográfica
A coragem do extremista é cenográfica. Serve só ao espetáculo. Coragem de gritar ódio em direção à muralha da própria bolha que sempre vai devolver-lhe o eco. E até quando explode abraçado a uma bomba, ele é o que menos se arrisca, protegido pelo conforto de habitar um universo simplório dividido entre o bem e o mal. Poupado pela preguiça emocional de poder ser indiscutivelmente do bem. Preservado pela ideologia que ele transformou em redoma inexpugnável. O extremista nunca corre riscos de verdade porque nunca corre o risco de se expor à verdade do outro. É o mais assustado dos seres, onde o medo fez sua melhor obra. A coragem mesmo está naqueles que se arriscam na metade do caminho onde os mísseis dos dois lados caem e são capazes de parar de correr no meio do estouro da sua própria manada. E abrem mão do espetáculo para trabalhar no terreno mais anônimo, menos midiático, menos imediato, menos lucrativo da construção de pontes. * * Às vezes me falam pra descer do muro. Eu vim destruir...

Hmmm, sei não... Mas eu disconcordo com você.
ResponderExcluirPosso dizer que o Destino poupou-me de relacimentos com moças afetadas em demasia por estes males. Não me cosidero vítima e nem mártir dessas alterações que ocorrem a vocês venuzianas, por isso falo com espírito desprendido.
A colocação foi genérica, mais ou menos no sentido de que todas (ou quase todas) as femêas são indistintamente afetadas por estas alterações hormonais cíclicas.
Entrementes, no deambular por este Vale de Lágrimas, tive o prazer ou a sorte de conhecer várias mulheres que, afora as alterações fisiológicas, precauções e incoveniências inerentes ao fenomeno,não apresentam disturbios psíquicos-comportamentais dignos de nota. Lógico, caberia indagar se estes exemplares encaram a coisa mais numa boa porque os efeitos nelas são menos intensos, ou se nelas os efeitos são menos intensos porque elas encaram esses dias mais numa boa.
Bem sei que devem haver dúzias de pesquisas demonstrando cientificamente todos os mecanicanismos insidiosos e deletérios que esta visita mensal põe em ação. Porisso, sob pena de condenação automática por machismo cafageste, reducionismo, simplificação, blasfêmia e insensibilidade, não entrarei em discussões complexas sobre o atraente segmento de mercado fármaco-terapeutico movimentado por esta questão, visto que, ao fim ao e ao cabo, chega-se sempre ao tradicional desfecho: "fácil falar porque não acontece com vocês, queria ver se...!"
Então, centrar-me-ei na questão dos days-after. Olha, a imagem do arco-íris depois da tempestade até que é bacana e reconfortante, mas, acho que talvez só se aplique a casos raros e esparsos, assim, "a nível de" coletividade acho que não rola.
O que se vê mais freqüentemente é o mau-humor, o bode do incorformismo pelos dias de perturbação cíclica permanecerem por mais alguns dias no trato cotidiano.
Em geral,o que se verifica é uma discreta e silênciosa volta à "normalidade" do cotidiano. Arco-íris? yo no lo creo. Antes, ocorre-me a figura do cometa, de órbita incerta, cujas aparições esporádicas, raras, não têm efeito prático sobre o Zodíaco, as marés, pesca ou corte de cabelo e, como espetáculo dificilmente corresponde à expectativa acumulada.
DIscurpa esse palavrório todo. Beijo.
Mané das Candongas