Pular para o conteúdo principal

Ela é o Bicho

Mulher é um bicho. Mais bicho que homem, porque em si o animal se manifesta todo mês...


Comentários

  1. Hmmm, sei não... Mas eu disconcordo com você.
    Posso dizer que o Destino poupou-me de relacimentos com moças afetadas em demasia por estes males. Não me cosidero vítima e nem mártir dessas alterações que ocorrem a vocês venuzianas, por isso falo com espírito desprendido.
    A colocação foi genérica, mais ou menos no sentido de que todas (ou quase todas) as femêas são indistintamente afetadas por estas alterações hormonais cíclicas.
    Entrementes, no deambular por este Vale de Lágrimas, tive o prazer ou a sorte de conhecer várias mulheres que, afora as alterações fisiológicas, precauções e incoveniências inerentes ao fenomeno,não apresentam disturbios psíquicos-comportamentais dignos de nota. Lógico, caberia indagar se estes exemplares encaram a coisa mais numa boa porque os efeitos nelas são menos intensos, ou se nelas os efeitos são menos intensos porque elas encaram esses dias mais numa boa.
    Bem sei que devem haver dúzias de pesquisas demonstrando cientificamente todos os mecanicanismos insidiosos e deletérios que esta visita mensal põe em ação. Porisso, sob pena de condenação automática por machismo cafageste, reducionismo, simplificação, blasfêmia e insensibilidade, não entrarei em discussões complexas sobre o atraente segmento de mercado fármaco-terapeutico movimentado por esta questão, visto que, ao fim ao e ao cabo, chega-se sempre ao tradicional desfecho: "fácil falar porque não acontece com vocês, queria ver se...!"
    Então, centrar-me-ei na questão dos days-after. Olha, a imagem do arco-íris depois da tempestade até que é bacana e reconfortante, mas, acho que talvez só se aplique a casos raros e esparsos, assim, "a nível de" coletividade acho que não rola.
    O que se vê mais freqüentemente é o mau-humor, o bode do incorformismo pelos dias de perturbação cíclica permanecerem por mais alguns dias no trato cotidiano.
    Em geral,o que se verifica é uma discreta e silênciosa volta à "normalidade" do cotidiano. Arco-íris? yo no lo creo. Antes, ocorre-me a figura do cometa, de órbita incerta, cujas aparições esporádicas, raras, não têm efeito prático sobre o Zodíaco, as marés, pesca ou corte de cabelo e, como espetáculo dificilmente corresponde à expectativa acumulada.
    DIscurpa esse palavrório todo. Beijo.
    Mané das Candongas

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Não tem conta Google? Assine, clique em ANÔNIMO e em PUBLICAR. É fácil! Bjooo.

Postagens mais visitadas deste blog

Amar não basta

Amar não basta. Gravo a mensagem no whatsapp e envio para a amiga. É uma faca no estômago, eu sei. Tantas pessoas se separam se amando. Eu mesma já fui embora arrastando o coração pelos cabelos umas duas vezes. Doloroso demais. Cruel demais. Mas acontece de as possibilidades se esgotarem, de fato. Acontece de precisarmos estar sós naquele trecho da estrada. Acontecem estradas diferentes com interseções que nunca mais se repetem.  Acontece de a dor ficar insuportável. E então a morte se impõe, mas nem sempre a aceitamos de pronto. Acontece de, primeiro, tentarmos blefar o adeus. Vivenciar o fim com a certeza de que o navio não deixou o porto. Ir sem ir. Começa o vai e vem sofrido: separa e uiva de dor, volta e uiva de prazer. Nada como voltar do fim: uma bomba de serotonina. Mas a volta não é inteira, não é a que planejávamos, e logo a falta se apresenta, e a dor retoma o palco e ensaia um novo adeus. Amar não basta, amiga. É preciso amar-se junto. Senão o outro vira eterna ameaça de …

Estranha Paz

Ah, esta paz de me sentir só que dá até medo. Estou sentada no restaurante, indecentemente só. Não pertenço a nenhum quadro. Nenhuma moldura me contém. Não sou sua mãe, sua esposa, sua amante, sua amiga. Sou folha seca na ventania lindamente desgovernada. Que medo de enlouquecer e sair vagando pela rua. Largar o carro. Ir andando até uma rodoviária. Comprar uma passagem para o nada. Virar pessoa desaparecida, forasteira, perder as referências, escafeder, sumir do mapa. Todos viajaram. Faz uns dias que estou só. Devolvida à minha pureza sem demandas. Sem idade, sem rugas, sem pressa, sem expectativas. Este prazer na solidão que me assusta. Só eu no restaurante atrás de uma caneca de chope. Um cara no piano tocando jazz. E não falta nada. Meu Deus, preciso confessar e é terrível: não falta absolutamente nada.  * * *

O fim da geração jeitinho

É difícil criticar um quadro estando dentro dele. Mas, vamos lá: eu pertenço à geração jeitinho. A uma das muitas gerações jeitinho. Fui paulatinamente estragada por um excesso aprendido de condescendência. Tenho amigos médicos, dentistas, motoristas de ônibus, publicitários, atores... nascidos e criados na cultura do jeitinho. Crescidos na catequese implacável do jeito correto de fazer as coisas, mas ouvindo, lá no fundo, o canto da sereia do jeitinho. Em caso de deslize extremo, complexo, ele estaria lá, sempre à mão e eu sempre soube: o jeitinho. Pra tudo existe um: eu me tranquilizava. O “não” é um troço elástico, manipulável. Depende de quem eu sou, quem eu conheço, da minha patente, de quanto eu tenho, do meu cargo. Sou da geração que endossa privilégios, focada em me tornar um dos privilegiados e não em acabar com eles. Tentando um emprego público para me acomodar, não para servir ao público. Olhando o serviço público com a lente distorcida do privilégio. O salário caiu na con…