Coragem cenográfica
A coragem do extremista é cenográfica. Serve só ao espetáculo. Coragem de gritar ódio em direção à muralha da própria bolha que sempre vai devolver-lhe o eco. E até quando explode abraçado a uma bomba, ele é o que menos se arrisca, protegido pelo conforto de habitar um universo simplório dividido entre o bem e o mal. Poupado pela preguiça emocional de poder ser indiscutivelmente do bem. Preservado pela ideologia que ele transformou em redoma inexpugnável. O extremista nunca corre riscos de verdade porque nunca corre o risco de se expor à verdade do outro. É o mais assustado dos seres, onde o medo fez sua melhor obra. A coragem mesmo está naqueles que se arriscam na metade do caminho onde os mísseis dos dois lados caem e são capazes de parar de correr no meio do estouro da sua própria manada. E abrem mão do espetáculo para trabalhar no terreno mais anônimo, menos midiático, menos imediato, menos lucrativo da construção de pontes. * * Às vezes me falam pra descer do muro. Eu vim destruir...

Ei Nanna! Aqui é o Thiago Tenório, marido da Débora Gomez, seu ex-brevíssimo-assistente, rs. Enfim, tenho que parar de ficar me reapresentando.
ResponderExcluirCara, que genial essa crônica! Eu e Débora ficamos debatendo sobre isso aqui. Me marcou principalmente: estou ameaçando umas voltas pela rua sem ele, caminhadas até a padaria, incomunicável.
Será que conseguiremos desintoxicar?
Muito legal seu blog, virei mais vezes!
Abração!
Muito boa idéia esta de ficar "incomunicável"...
ResponderExcluirVou tentar algumas vezes.
Já senti esta síndrome da incomunicabilidade quando das caminhadas na praia do Forte S.João, onde celular não "pega" - hahaha!
Vou seguir sua sugestão...
Vou ficar mais tempo sem Êle!
Bjs do seu primo do Rio.
É isso mesmo. É possível viver sem ele. E sem eletrônicos. Já testei por dias, ficar sem celular e sem internet (que adoro e sou viciada) e o mundo não desabou. Nem o profissional nem o emocional, ou o familiar. Precisamos reaprender a nos desapegar das coisas, perder mal hábito, sermos mais gentis e educados. Se rehabituar a pensar antes de responder. Mesmo que seja somente às vezes.
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