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Fenix

Mulheres são mergulhadoras, vão ao fundo e voltam. Se despedaçam, se desintegram, feito androide do Exterminador do Futuro e se remontam, não da mesma forma, não igual. Mulheres fazem questão de ir ao fundo absoluto, tocam os pés na areia do fundo, deitam-se no fundo e lá permanecem sob toneladas de mar enquanto sangram. Estão acostumadas a sangrar, não é um drama. Mulheres, em geral, parecem muito mais destroçadas quando deixam os acidentes amorosos. Se recolhem na caverna escura enquanto eles se lançam no próximo jogo. Saem de lá poucas vezes para encontrar uma amiga na padaria onde choram às claras, pra todo mundo ver. Faz parte do renascimento delas: morrer mil vezes em praça pública. E, de repente, mulheres se erguem no breu abismal do oceano, quando nem se esperava mais, porque a costura da nova aprendizagem ficou pronta. E começam a subir lentas, respeitando o frescor das cicatrizes. E surgem na superfície. Inteiras. Maiores. Esta, a fragilidade enganosa do feminino: virar pó, virar barro e se reesculpir, infinitamente. Esta, a fortaleza que o feminino me deu.
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"Aprendi com as primaveras a me deixar cortar e voltar sempre inteira."
Cecília Meireles.
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