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Não queira me mudar!

Não queira me mudar. Disse o homem com firmeza. Sou quem sou. Também acho uma estupidez erguer qualquer relacionamento na expectativa de mudar o outro. O homem tem meia razão, embora eu não quisesse mudá-lo. Querer mudar o outro, para mim, está entre a absoluta falta de humildade e a total perda de tempo. Mudar o outro acontece, mas não como um propósito. Sei que serei um espelho e o homem talvez mude por vontade própria porque é natural das relações verdadeiras, transformar as pessoas. A mim, basta existir com integridade, com verdade, sem muitas querências em relação ao planeta insondável do outro.  Tive a chance de ser terapeuta e desisti. Não sou tão altruísta a ponto de me dedicar a mudar quem quer que seja. Mas tive vontade de dizer ao homem: vai mudar, criatura! Qual o problema? Pra que tanto apego ao que se é ou parece ser? Escolhemos pessoas espelho quando alguém em nós quer mudar. Escolhemos pessoas foscas quando queremos a paz da inércia. Pessoas espelhos devolvem a nós tudo que é reflexo e não relação. Isto é seu, isto é meu, aquilo é nosso.  Sem medo de nos machucar, pois não é seu objetivo. Apenas preservam o hábito saudável de não se misturar às nossas loucuras. E eu não quero mudar o homem, mas sei que serei seu espelho então... pode ser que mude. Não dependo disso e não espero mais nada mesmo quando quero muito. Aprendizado de mosca que um dia girou em torno de uma lâmpada.  Eu gasto meu tempo cuidando do meu jardim e ofereço mudas de flores aos interessados, mas respeito quem azulejou todo o chão. Não preciso que o homem goste de jardim. Ao homem darei o que ele puder levar sem cobrança. Sem cheque caução. E não creio que ele entenda. Se debate agarrado ao seu valioso eu que é o que é: pobre líquido congelado. Receoso de derreter-se no contato humano e seguir menos certo de si, mais fluido e mais feliz. 
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