Vocês Vão Ver Uma Pessoa Violenta

Eu vou quebrar tudo. E vocês vão ver o que é uma pessoa violenta. Eu não vou gastar minha energia quebrando cabines de polícia, telefones públicos ou a cara de outras pessoas. Isto é júnior, é mirim, é playground de desajustados. Eu vou quebrar o que não tem conserto. E vou quebrar pra sempre. Vou acertar meu taco de beisebol com muita força na fé que o político corrupto tem de que eu logo volto pra casa vencido, e tudo segue como está. Eu vou espancar até a morte a crença destes palhaços de que somos otários, passivos e domináveis. Eu vou partir sem dó pra cima do político medíocre sentado há dezenas de anos no trono do executivo legislando para si e seus cupinchas e golpear com minha barra de ferro mil vezes o seu disfarce de ovelha até que a raposa ensanguentada surja e rasteje para fora do senado e do congresso brasileiro. Eu vou espancar com palavras, diariamente, nas redes sociais, os pastores homofóbicos e escrever na parede de suas casas com clareza inequívoca que meus amigos gays estão cercados de gente. São mães, pais, irmãos, amigos que os amam. E não vamos deixar chamá-los de doentes. Não vamos deixar um idiota de inteligência reduzida e aparência sombria encostar um dedo na autoestima deles. Vamos reagir com a violência criativa dos que veem o mundo por uma vasta janela e não por uma exígua fechadura. Eu vou atravessar a rua e quebrar a apatia do vizinho enclausurado por séculos de vandalismo moral num país dominado por bandidos. Eu vou sacudi-lo com força no ar com a revelação de que eu estava nas ruas e não quebrei nada e vou voltar. Eu vou partir com toda a força da minha não ignorância pra cima dos manipuladores que querem chupar meu movimento legítimo e imenso e transformá-lo em baderna, em golpe de estado, pra colocar no poder mais um super-herói fabricado pela mídia e me entorpecer de novo por mais cinquenta anos. Eu vou quebrar crenças com a violência , nunca vista na mídia sensacionalista, da minha língua afiada e consciente, dos meus dedos mortais de poeta sobre o teclado, dos meus jatos de tinta nos muros, do meu carisma de artista, da minha inteligência crítica, acadêmica, e não vou deixar sem luta que arranquem de mim meu desejo visceral, vital, de um país decente. Eu vou quebrar as algemas sentando no chão quando os vândalos com uniforme de bandido tentarem me representar. Eu vou quebrar com ódio e violência o elo entre mim e as hienas que se acostumaram a me comer vivo. E não sei o que será. Mas sei que já não sou o mesmo. 
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