Coragem cenográfica
A coragem do extremista é cenográfica. Serve só ao espetáculo. Coragem de gritar ódio em direção à muralha da própria bolha que sempre vai devolver-lhe o eco. E até quando explode abraçado a uma bomba, ele é o que menos se arrisca, protegido pelo conforto de habitar um universo simplório dividido entre o bem e o mal. Poupado pela preguiça emocional de poder ser indiscutivelmente do bem. Preservado pela ideologia que ele transformou em redoma inexpugnável. O extremista nunca corre riscos de verdade porque nunca corre o risco de se expor à verdade do outro. É o mais assustado dos seres, onde o medo fez sua melhor obra. A coragem mesmo está naqueles que se arriscam na metade do caminho onde os mísseis dos dois lados caem e são capazes de parar de correr no meio do estouro da sua própria manada. E abrem mão do espetáculo para trabalhar no terreno mais anônimo, menos midiático, menos imediato, menos lucrativo da construção de pontes. * * Às vezes me falam pra descer do muro. Eu vim destruir...

Céu ou inferno está naquilo que colocamos ou tiramos de nossa realidade monentânea, pois o dia que o móvel for montado, Sylmara ou Maria José poderia ser anjo ou demônio numa central de telemarketing ou num busão lotado voltando para casa, de qualquer maneira será apenas uma história, não existirá mais! Bjs
ResponderExcluirIsto, isto! Vamos colocar menos inferno nas nossas realidades! Beijo.
Excluiràs vezes acho mesmo que vc é genial! como é possível colocar as atendentes de telemarketing e as buscas espirituais num mesmo texto e criar algo tão impactante!?
ResponderExcluiraté entendo porque não consigo acreditar em nada! não posso acreditar em nada que fala de elevação espiritual no mesmo mundo em que existem atendentes de telemarketing! pessoas como eu, cheias de medo, de angústia, de dor, que ainda assim trabalham em prol das estruturas que, no fim das contas, são o que nos fazem cheios de medo, angústia e dor...