Coragem cenográfica
A coragem do extremista é cenográfica. Serve só ao espetáculo. Coragem de gritar ódio em direção à muralha da própria bolha que sempre vai devolver-lhe o eco. E até quando explode abraçado a uma bomba, ele é o que menos se arrisca, protegido pelo conforto de habitar um universo simplório dividido entre o bem e o mal. Poupado pela preguiça emocional de poder ser indiscutivelmente do bem. Preservado pela ideologia que ele transformou em redoma inexpugnável. O extremista nunca corre riscos de verdade porque nunca corre o risco de se expor à verdade do outro. É o mais assustado dos seres, onde o medo fez sua melhor obra. A coragem mesmo está naqueles que se arriscam na metade do caminho onde os mísseis dos dois lados caem e são capazes de parar de correr no meio do estouro da sua própria manada. E abrem mão do espetáculo para trabalhar no terreno mais anônimo, menos midiático, menos imediato, menos lucrativo da construção de pontes. * * Às vezes me falam pra descer do muro. Eu vim destruir...

Adorei Nana!bj
ResponderExcluirRita
Bom demais!!! Bjo!
ResponderExcluirP.S. Vovô me disse que em julho vc virá a Minas. Faça-nos uma visita.
Inspirador, Saudosista, Fraterno, Puro, Confortador , amei Nana!
ResponderExcluirBjs Carla Martins
Senhorita Safo,
ResponderExcluirQue linda a sua escrita. É líquida e nos envolve com presteza.
Gostei desse "Irmãos" pq vc falou tudo que eu penso sb a convivência que a gente aprende em casa com eles qdo somos pequenos.
Alguns amigos são a continuidade dos irmãos. Mas aquela intimidade toda, só com quem passou pela mesma mãe.
Eleonora Rosset