Antena

Já achei que o supremo da minha criação era a coisa criada. A obra minha nascida do meu umbigo criativo. Não é. Hoje vivo do dom de acolher toda criação alheia. Sou uma artesã da comunicação. Ganhei um ou outro prêmio aqui e ali, mas é minha paciência com o caos que me dignifica. Minha capacidade de ouvir e observar e ver o todo unido, onde se encontra em partes. Sim, eu junto caquinhos e faço vitrais coloridos, multifacetados, que só se tornam maravilhosos porque acolhem todas as vozes, todas as vontades, todas as cores. Aos meus vitrais chamo de roteiros. São textos que em si nada valem. Papel pra se jogar fora quando a obra fica de pé. Roteiro é apenas a guia para se chegar. Como aqueles mapas que recebemos para o churrasco na casa de campo no final de semana. Fundamentais. Chegando lá, é lixo. O roteiro me ensinou o desapego às ideias. Quando se joga uma ideia fora, vêm dez. A ideia que fica, que vale a pena, é aquela onde todo mundo se encontra. Onde ninguém é violentado. Este é o criar generoso, desapegado,  que eu desconhecia e que o mundo dos narcisos não reconhece, não exalta. Desapego nada tem a ver com desamor. Amar também é deixar ir. Minha porta está sempre aberta. O que é bom para aquele momento, e aquelas pessoas, virá e se sentará no meio da sala. Não é invenção minha. É criatura nascida da vibração de toda aquela gente, mais a temperatura do mundo, tudo entrando por uma antena, boa antena, que sou eu. O que não pertence àquela história sairá correndo pela porta, mesmo que seja, aos meus olhos, um cavalo alado, uma flor de lótus. Este é meu criar maduro. Mais vazio de glórias mas sempre repleto de amigos. Dele me vanglorio, sem modéstia. É grande feito a ventania.
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Comentários

  1. Nana, maravilhoso, que delícia ler seus textos, keep walking!!!!! Bj Henrique Guerra

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  2. Nanna, que lindo, amei, quando crescer quero ser como você!
    Bj
    Davi - BH

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