Coragem cenográfica
A coragem do extremista é cenográfica. Serve só ao espetáculo. Coragem de gritar ódio em direção à muralha da própria bolha que sempre vai devolver-lhe o eco. E até quando explode abraçado a uma bomba, ele é o que menos se arrisca, protegido pelo conforto de habitar um universo simplório dividido entre o bem e o mal. Poupado pela preguiça emocional de poder ser indiscutivelmente do bem. Preservado pela ideologia que ele transformou em redoma inexpugnável. O extremista nunca corre riscos de verdade porque nunca corre o risco de se expor à verdade do outro. É o mais assustado dos seres, onde o medo fez sua melhor obra. A coragem mesmo está naqueles que se arriscam na metade do caminho onde os mísseis dos dois lados caem e são capazes de parar de correr no meio do estouro da sua própria manada. E abrem mão do espetáculo para trabalhar no terreno mais anônimo, menos midiático, menos imediato, menos lucrativo da construção de pontes. * * Às vezes me falam pra descer do muro. Eu vim destruir...

Essa chuva vai passar.
ResponderExcluirTá demais esse texto. Um quê de Clarice Lispector. Deu ao mesmo tempo uma melancoliazinha e uma esperança. Obrigada, querida, por compartir desse seu dom. Beijo.
ResponderExcluirmais uma... acho que alguém se dividiu e reencarnou em nós duas!!! hahaha! até isso! acho que até os meus 17 anos, talvez mais, talvez menos, eu brincava de fingir que era supersticiosa e dizia para os meus amigos que se eu não visse o sol nascer no primeiro dia do ano, temia que ele não nascesse!!!! e essa adolescente que vc vê, sou eu! hahahahaha!
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