Tempos de Eleição

Tempos de eleição. Eu anestesiada. Sim, meus netinhos, eu estava lá: Diretas Já, comícios do Lula, Impeachment do Collor, passeatas, carreatas... Mas, em algum lugar no meio do caminho até esta eleição de 2010, transformei-me kafkaniamente numa barata política. Estou alienada. Quero ficar quietinha aqui na minha fresta de rodapé esperando passar. Hoje vi um cavalete com propaganda do senhor Paulo Maluf. Meu coração deu um suspiro breve, cansado. E enfiou a cara mais para dentro da fresta. Não tinha um tal de ficha limpa? A barata pensando. Esquece. Na loja do seu Judiciário vendem ficha autolimpante. E o Collor? Agora é aliado do Lula. Um leve enjoo me atormenta. Mas ainda bem que cérebro de barata desiste logo. Sairei da fresta para votar. Chateada, mastigando uma naftalina. Apertarei as teclas com minha pata peluda e vai aparecer uma cara na urna eletrônica. Tanto faz a cara, a barata concluirá baratinada, e com a antena pressionará confirma. E estará confirmada a morte por desilusão desta eleitora.
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