Coragem cenográfica
A coragem do extremista é cenográfica. Serve só ao espetáculo. Coragem de gritar ódio em direção à muralha da própria bolha que sempre vai devolver-lhe o eco. E até quando explode abraçado a uma bomba, ele é o que menos se arrisca, protegido pelo conforto de habitar um universo simplório dividido entre o bem e o mal. Poupado pela preguiça emocional de poder ser indiscutivelmente do bem. Preservado pela ideologia que ele transformou em redoma inexpugnável. O extremista nunca corre riscos de verdade porque nunca corre o risco de se expor à verdade do outro. É o mais assustado dos seres, onde o medo fez sua melhor obra. A coragem mesmo está naqueles que se arriscam na metade do caminho onde os mísseis dos dois lados caem e são capazes de parar de correr no meio do estouro da sua própria manada. E abrem mão do espetáculo para trabalhar no terreno mais anônimo, menos midiático, menos imediato, menos lucrativo da construção de pontes. * * Às vezes me falam pra descer do muro. Eu vim destruir...

Uai sô! Nóis aqui do Mato Grosso tamém semo mei doido assim...rsrs.. Eu por exemplo, quando criança, falava com o invisível e as vezes, hoje, 20 anos depois, me pego assim 'doido' ou criança, falando sei lá com o quê!
ResponderExcluirSenhorita, você é profunda em suas palavras, me faz viajar, chega a ser mística, excitante, horripilante.
Cliquei porque também te quero! Beijos!