Coragem cenográfica
A coragem do extremista é cenográfica. Serve só ao espetáculo. Coragem de gritar ódio em direção à muralha da própria bolha que sempre vai devolver-lhe o eco. E até quando explode abraçado a uma bomba, ele é o que menos se arrisca, protegido pelo conforto de habitar um universo simplório dividido entre o bem e o mal. Poupado pela preguiça emocional de poder ser indiscutivelmente do bem. Preservado pela ideologia que ele transformou em redoma inexpugnável. O extremista nunca corre riscos de verdade porque nunca corre o risco de se expor à verdade do outro. É o mais assustado dos seres, onde o medo fez sua melhor obra. A coragem mesmo está naqueles que se arriscam na metade do caminho onde os mísseis dos dois lados caem e são capazes de parar de correr no meio do estouro da sua própria manada. E abrem mão do espetáculo para trabalhar no terreno mais anônimo, menos midiático, menos imediato, menos lucrativo da construção de pontes. * * Às vezes me falam pra descer do muro. Eu vim destruir...

Nunca um texto caiu tão bem ... neste sábado falei eu numa conversa "aquele preto" e o Afonso, que vc conhece, me perguntou preto ou negro ? E dai segiu a prosa sobre o POLITICAMENTE correto.
ResponderExcluirCoincidência ou não, lembrei imediatamente da minha mãe amada. Que nunca falava negro e se referia a todos os afrodescendentes com um carinho enorme que carregava na palavra pretinho! Viva mamãe na sua infinita sabedoria.
Manda mais texto e mais idéia e mais provocação ... bjo
Senhorita, o preconceito é maior de quem acha que é alvo dele. Por que as faxineiras da empresa baixam a cabeça quando passam por mim, se eu gostaria de dar bom dia, como dou para meu chefe? É.
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