Coragem cenográfica
A coragem do extremista é cenográfica. Serve só ao espetáculo. Coragem de gritar ódio em direção à muralha da própria bolha que sempre vai devolver-lhe o eco. E até quando explode abraçado a uma bomba, ele é o que menos se arrisca, protegido pelo conforto de habitar um universo simplório dividido entre o bem e o mal. Poupado pela preguiça emocional de poder ser indiscutivelmente do bem. Preservado pela ideologia que ele transformou em redoma inexpugnável. O extremista nunca corre riscos de verdade porque nunca corre o risco de se expor à verdade do outro. É o mais assustado dos seres, onde o medo fez sua melhor obra. A coragem mesmo está naqueles que se arriscam na metade do caminho onde os mísseis dos dois lados caem e são capazes de parar de correr no meio do estouro da sua própria manada. E abrem mão do espetáculo para trabalhar no terreno mais anônimo, menos midiático, menos imediato, menos lucrativo da construção de pontes. * * Às vezes me falam pra descer do muro. Eu vim destruir...

Tão bonito. A Eleonora tem razão qdo fala tão bem do seu texto. Sylvia Manzano
ResponderExcluirObrigada pela visita Sylvia. Venha mais vezes.
ExcluirEu venho sp, nem sp, porém falo alguma coisa. Vc diz verdades tão acabadas, q fico em silêncio, admirando apenas.
Excluirlágrimas, lágrimas e mais lágrimas... acho que fiquei com saudade do meu pai também... pai passarinho e pai peixe, que nunca me levou nem pro céu nem pro mar, apesar do brevê e da carta de capitão amador, pq uma vez levou minha irmã mais velha para velejar e ela passou mal... era muito intolerante o meu peixe-pássaro pai... viveu sozinho as suas aventuras e se gastou logo, voltando a habitar mar e céu ao mesmo tempo, talvez realizanod seu sonho de dissolução...
ResponderExcluirai vc, nana, sempre me fazendo sentir!
Pessoa linda que eu amo de montão e tenho o prazer de conviver... Bjo!!!
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