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Abane Seu Rabo

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Hoje queria escrever sobre uma coisa boa. Buscar no meu cotidiano uma delícia que me contamine. Compactuar com o bom...

Grandes Filhos da Pátria

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Eu desejo que amanhã nossos filhos sejam políticos. Estes a quem estamos ensinando a não tergiversar com a verdade, a não amolecer com o respeito, a ter autoestima.  Que eles inaugurem uma nova era no Brasil: daqueles que se amam e são alérgicos à espertezas esfomeadas. Melhores que a minha geração que se acostumou com a violência da imoralidade, que suporta diariamente sanguessugas de terno nas empresas, nos governos, onde há poder, onde se pode mudar o futuro, onde se sabota o futuro. Eu sonho que nossos filhos não vão carregar esta herança de desamor. Eles serão chatos, intolerantes. Não negociarão um milímetro de espaço com coleguinhas bandidos, com patrõezinhos gananciosos, com empresinhas canibais. Carregarão uma autoestima tão imensa que não aceitarão nada menos do que um país justo onde se possa caminhar sem ficar desviando da merda. Não mais a pobreza interior de velhos bigodudos de cabelo pintado que só querem o seu, a sua parte, a quem nada basta para aplacar a misé...

Irmãos

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Ai irmãos. Aquelas criaturas que já estão lá dominando o território quando chegamos ou que chegam para nos arrancar um pedaço do reinado...

Over Vida

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Minha cabeça está vazando. Sinto alguns pensamentos escorrerem  pelo lóbulo da orelha esquerda...

Amigo Invisível

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Hoje minha filha de seis anos me perguntou de onde nasceu o primeiro homem. Titica de gente com angústias existenciais...

Canjiquinha

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Mania que trouxe de Minas é este prazer de ter a casa cheia de gente. A cozinha, coração quente da casa, lotada de amigos...

Maracujás de Gaveta

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A cada ano que passa caminhamos, levados pelos braços da dona ciência, para uma velhice mais longa. Vamos, obrigatoriamente, viver mais. Há uma determinação científica de não deixar que a gente morra.  Então é preciso dar conta de viver mais. Para os que morriam na Idade Média aos trinta anos, podia-se dizer que partiam no auge. Não será assim conosco. Quando enfim deitarmos no caixão estaremos muito, mas muito velhinhos.  E apesar dos cremes e pílulas milagrosas, não será fácil ser velho.  E talvez a gente precise ir se preparando para isso aos poucos, pagando uma aposentadoria para a alma, entendendo um motivo maior para se estar vivo onde caiba o velhinho que seremos. Porque vai chegar o tempo de ir se despedindo lentamente de tudo que nos ensinaram a chamar de poder. Exercício brutal e forçado de desapego daquela pele lisinha, daqueles cabelos castanhos, daquelas pernas ligeiras, daquela mão firme.  Seremos mais lentos e o mundo não nos chamará tanto.  E o t...