O Macaco Nu
O homem viu atrás do arbusto o que parecia muito ser uma possibilidade de crítica. Entendam, uma crítica pode ser um bicho pequeno, mas pode não ser e devorar a gente. A crítica no subterrâneo do homem não era um bicho pequeno. Ela estava ligada ao impossível pressuposto de que ele, talvez também um bicho muito pequeno, não podia ser fraco, não podia errar, não podia distrair-se, não podia tropicar, não podia rir de si mesmo sob pena cruel da retirada do amor. Então, o instinto de autossobrevivência do homem entrou em standby por segurança. Eriçou os pelos das costas, retesou os músculos e colocou seu hiper foco no bicho atrás do arbusto que sim, agora ele tinha absoluta convicção de que era uma crítica. Entendam, o homem não podia deixar que ela crescesse dentro do peito e desenvolvesse mandíbulas fortes e cheias de dentes e avançasse sobre o pequeno bicho indefeso que ele não podia ser. O homem estava ameaçado. O homem precisava contra-atacar. Li uma vez em um livro do bió...

Céu ou inferno está naquilo que colocamos ou tiramos de nossa realidade monentânea, pois o dia que o móvel for montado, Sylmara ou Maria José poderia ser anjo ou demônio numa central de telemarketing ou num busão lotado voltando para casa, de qualquer maneira será apenas uma história, não existirá mais! Bjs
ResponderExcluirIsto, isto! Vamos colocar menos inferno nas nossas realidades! Beijo.
Excluiràs vezes acho mesmo que vc é genial! como é possível colocar as atendentes de telemarketing e as buscas espirituais num mesmo texto e criar algo tão impactante!?
ResponderExcluiraté entendo porque não consigo acreditar em nada! não posso acreditar em nada que fala de elevação espiritual no mesmo mundo em que existem atendentes de telemarketing! pessoas como eu, cheias de medo, de angústia, de dor, que ainda assim trabalham em prol das estruturas que, no fim das contas, são o que nos fazem cheios de medo, angústia e dor...