Está tudo bem assim como está, assim como é, assim como dá. Reserva uns minutos na semana para se pegar no colo com doçura e repetir o mantra: está tudo bem assim como está, assim como é, assim como dá. Cala a boca que acorda discordando, escrava da mente que nunca se satisfaz, e permite a si mesmo ser o que é. Larga a lapiseira que desliza compulsivamente em esboços do futuro, em projetos de realinhamento, de evolução, de preenchimento... Este saco de pedras que colocamos nas costas antes até de escovarmos os dentes e parecem raras, mas, se fossem, não pesariam tanto. Cascalho brilhante que nos soterra. Repete pra si mesmo neste instante como uma oração: está tudo bem assim como está, assim como é, assim como dá. Olha o todo e percebe o ser que luta, peleja, incansavelmente e mesmo assim nunca basta. Percebe seu direito de parar, de não corresponder, de não saber, de não conseguir. Para e reconhece a cenoura na ponta da vara à frente da carroça. Você nunca irá comê-la. Enxerga o ...