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Mostrando postagens de setembro, 2026

No galope da manada

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Homens poderosos entraram na minha vila e roubaram o que cada um tinha de mais caro. Da casa da frente, onde uma bandeira verde-amarela rota ainda resiste discreta num canto da janela, levaram toda a esperança. E apesar de discordar das escolhas da vizinha, me doeu vê-la no outro dia soturna e robótica varrendo o piso de asfalto na sua porta. Na segunda casa à esquerda da minha, arrancaram um a um cada fio luminoso de dignidade e foram largando pelo chão um chorume azedo de cobiça e ganância ilimitada. Restou ao meu vizinho sentar-se exausto no desconforto das desilusões sucessivas e misturar-se ao chorume. Deprimiu-se. Nunca mais abriu a janela.  Na casa bem ao fundo, a crueldade foi quase indescritível: a vizinha, uma senhora aposentada, implorou pelos seus sonhos de cidadania e respeito enquanto os homens poderosos avançavam sobre os poucos recursos da sua aposentadoria. O mais triste, o que mais nos envergonha e nos abate: os homens poderosos entraram na minha vila usando a cha...