O Macaco Nu
O homem viu atrás do arbusto o que parecia muito ser uma possibilidade de crítica. Entendam, uma crítica pode ser um bicho pequeno, mas pode não ser e devorar a gente. A crítica no subterrâneo do homem não era um bicho pequeno. Ela estava ligada ao impossível pressuposto de que ele, talvez também um bicho muito pequeno, não podia ser fraco, não podia errar, não podia distrair-se, não podia tropicar, não podia rir de si mesmo sob pena cruel da retirada do amor. Então, o instinto de autossobrevivência do homem entrou em standby por segurança. Eriçou os pelos das costas, retesou os músculos e colocou seu hiper foco no bicho atrás do arbusto que sim, agora ele tinha absoluta convicção de que era uma crítica. Entendam, o homem não podia deixar que ela crescesse dentro do peito e desenvolvesse mandíbulas fortes e cheias de dentes e avançasse sobre o pequeno bicho indefeso que ele não podia ser. O homem estava ameaçado. O homem precisava contra-atacar. Li uma vez em um livro do bió...

Amo as curiosidades desses bichinhos descobrindo o mundo.
ResponderExcluirbelo texto, Nannushka!
Beijo
Roberto, um amigo perdeu seu filho domingo. Fiquei sem dormir pensendo em sua agonia. Lembrei que tenho uma aluna que sofre diariamente por ter um filho com cancer. Leva uma vida do cão entre hospitais, dores, tecidos e vidas em confusão. Pensei na dor do Roberto e tenho certeza que ele gostaria de estar no lugar da Angela, de sofrer todo dia mas ter seu filho ainda vivo. Mais: se pudesse sei que ele trocaria de lugar com seu filho para não vê-lo sofrer. Normal, né? Os pais são assim. Dariam sua vida pelo filho.
ResponderExcluirEntão pensei, que espécie de animal é esse, que é capaz de dar a vida pelo outro, que é capaz de outras grandes atitudes como essa? Esse animal é o Homem, que difere dos outros animais por ser capaz de criar um Deus à sua imagem e semelhança, um Deus que representa tudo de bom que esse animal já pode ser.
Esse tema sempre me absorveu, visto que quando criança fiz a mesma pergunta de sua filha, minha mãe respondeu: "Que pergunta é essa menina, tenho tantos anos e nunca tive essa dúvida. No momento ela conseguiu encerrar meu questionamento, mas sempre venho lendo e estudando a respeito. Depois de me casar com um agnóstico passei a pensar mais ainda... Outro dia, conversando com o Hebinho obtive uma resposta bastante plausível: "Se chegarmos muito perto da lógica, perdemos um pouco de nossa fé e inocência. Se o homem habita a terra a tanto tempo e sempre teve a intuição divina porque devemos duvidar?
ResponderExcluirBelíssimo escrito. Abraço!!!
Há alguns meses escrevi sobre o assunto, mas como o filho que jogou fora no futuro. Doeu um pouco, mas trouxe bastante alívio.
ResponderExcluirhttp://achlo.wordpress.com/2011/03/01/em-nome-do-pai-do-filho-e-do-cetico/
Que eu saiba não sofro muito com a ausência de deus na minha vida, mas talvez eu venha a sofrer por não poder confortar a angústia da minha filha no dia em que ela se tornar humana o bastante para ter auto-consciência da sua existência e, por consequência, do fim dela e das demais existências ao seu redor... eu sempre penso nisso... hoje, que sou mãe, penso muito mais na ausência de deus do que qdo era só eu... medo dessa ausência não ser confortante o suficiente para o meu pedacinho que se torna cada dia menos meu... medo de alberto caeiro não ser resposta o bastante para ela como tem sido há alguns anos para mim...
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