O Macaco Nu
O homem viu atrás do arbusto o que parecia muito ser uma possibilidade de crítica. Entendam, uma crítica pode ser um bicho pequeno, mas pode não ser e devorar a gente. A crítica no subterrâneo do homem não era um bicho pequeno. Ela estava ligada ao impossível pressuposto de que ele, talvez também um bicho muito pequeno, não podia ser fraco, não podia errar, não podia distrair-se, não podia tropicar, não podia rir de si mesmo sob pena cruel da retirada do amor. Então, o instinto de autossobrevivência do homem entrou em standby por segurança. Eriçou os pelos das costas, retesou os músculos e colocou seu hiper foco no bicho atrás do arbusto que sim, agora ele tinha absoluta convicção de que era uma crítica. Entendam, o homem não podia deixar que ela crescesse dentro do peito e desenvolvesse mandíbulas fortes e cheias de dentes e avançasse sobre o pequeno bicho indefeso que ele não podia ser. O homem estava ameaçado. O homem precisava contra-atacar. Li uma vez em um livro do bió...

Super texto !! Adorei, queridona ! Parabéns !!! E aos poucos vamos encarando essas situações com menos preconceito...
ResponderExcluirbjoooo
Era intencional me fazer marejar os olhos?
ResponderExcluirSó podia ser com você! Adorei...
ResponderExcluirAdorei. Principalmente porque deixou uma simples, mas verdadeira pergunta no ar: quando é que vamos limpar essa "sujeira" que existe em cada um de nós?
ResponderExcluirPuta merda, ser amigo é isso. Paulete entra pela porta da casa dela, insatisfeita com tudo, colocando no lugar um monte de coisas... e quando sai, deixando um monte de coisas limpas, no lugar devido e até mesmo o conceito no lugar certo, a Nanna, toda mineira, toda poetisa, entra em nossa vida, em nossa casa e tira tudo do lugar, deixando a gente com o choro na garganta, o olhar marejado e o coração meio que dilacerado. Nas graças a Deus, a própria Nanna, ou melhor Safo, nos mostra que existe esperanças e que poderemos também jogar fora um monte de lixo, permitindo que Pauletes outras possam, insatisfeitas, adentrarem nossas casas, jardins, vidas e, antes de sairem, deixarem tudo no lugar certo!
ResponderExcluirnanna,
ResponderExcluirjá me utilizei de alguns de seus textos para falar com amigos.
aquele que fala das armadilhas para encontrar com amigos antigos é uma delicia de ler.
enviei para alguns, como um convite para almoço, café, enfim, um pretexto para a gente falar das nossas distâncias.
tenho tentado encontrar com essas pessoas que me fazem bem de algum jeito.
este sobre a paulete é muito legal. seus amigos que postaram no blog tem razão. é de marejar os olhos.
era isso.
beijo,
lina
Tia o vovô acabou de sair da minha casa e me relatou a história de Paulete, do seu jeito e ponto de visata é claro! Mas para minha surpresa não havia um ar preconceituoso e sim de surpresa. Talvez por sua própria incredulidade em seus sentimentos diante deste episódio inusitado. Fiquei emocionada ao ler seu texto e perceber como escondemos em algum lugar que julgamos inatingível nossas certezas presunçosas que nos tornam tão preconceituosos. amei a forma leve que você tratou o assunto. Minha adimiração pela escritora Nanna é cada dia maior e pela Tia, ah... nem se fala!
ResponderExcluirContinue nos presentendo com estes textos que possuem tanta verdade e transparecem sua alma. Beijo
Amei!!! Parabéns!
ResponderExcluirIncrível!!!
ResponderExcluirAdorei!!!
ResponderExcluirLuana
Hoje reli Paulete,precisava de inspiração, companhia, que bom não me sentir sozinha nesse mundo tão entrannhado de ideias preconcebidas. Já li várias apologias em relação à homofobia, mas pegá-la pelo chifre, tenter domár-lhe a estranheza e, depois assumi-la, é algo não apenas inusitado, mas também fruto de uma alma sublimee muito HUMANA. Divida sempre conosco essas verdades, pois desde então, sempre que ouço algum ego inflado discursando sobre o que desconhece ou esconde embaixo do tapete digo: Vai ler Paulete, e depois vem falar comigo. Beijo, tia !!!
ResponderExcluirOlhos marejados também...
ResponderExcluirnão resisti, li mais um... meu deus, estou viciada nos seus textos! a vida é generosa com vc e com os leitores do seu blogue, que colocam diante da sua incrível capacidade de simbolizar em palavras poéticas os acontecimentos mais simples, que dirá de coisas como este inusitado acontecimento!
ResponderExcluirfico com o comentário do chico, acima, também estou com as lágrimas já escorrendo! e já compartilhei esse com os amigos!