O Macaco Nu
O homem viu atrás do arbusto o que parecia muito ser uma possibilidade de crítica. Entendam, uma crítica pode ser um bicho pequeno, mas pode não ser e devorar a gente. A crítica no subterrâneo do homem não era um bicho pequeno. Ela estava ligada ao impossível pressuposto de que ele, talvez também um bicho muito pequeno, não podia ser fraco, não podia errar, não podia distrair-se, não podia tropicar, não podia rir de si mesmo sob pena cruel da retirada do amor. Então, o instinto de autossobrevivência do homem entrou em standby por segurança. Eriçou os pelos das costas, retesou os músculos e colocou seu hiper foco no bicho atrás do arbusto que sim, agora ele tinha absoluta convicção de que era uma crítica. Entendam, o homem não podia deixar que ela crescesse dentro do peito e desenvolvesse mandíbulas fortes e cheias de dentes e avançasse sobre o pequeno bicho indefeso que ele não podia ser. O homem estava ameaçado. O homem precisava contra-atacar. Li uma vez em um livro do bió...

Nunca um texto caiu tão bem ... neste sábado falei eu numa conversa "aquele preto" e o Afonso, que vc conhece, me perguntou preto ou negro ? E dai segiu a prosa sobre o POLITICAMENTE correto.
ResponderExcluirCoincidência ou não, lembrei imediatamente da minha mãe amada. Que nunca falava negro e se referia a todos os afrodescendentes com um carinho enorme que carregava na palavra pretinho! Viva mamãe na sua infinita sabedoria.
Manda mais texto e mais idéia e mais provocação ... bjo
Senhorita, o preconceito é maior de quem acha que é alvo dele. Por que as faxineiras da empresa baixam a cabeça quando passam por mim, se eu gostaria de dar bom dia, como dou para meu chefe? É.
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