O Macaco Nu
O homem viu atrás do arbusto o que parecia muito ser uma possibilidade de crítica. Entendam, uma crítica pode ser um bicho pequeno, mas pode não ser e devorar a gente. A crítica no subterrâneo do homem não era um bicho pequeno. Ela estava ligada ao impossível pressuposto de que ele, talvez também um bicho muito pequeno, não podia ser fraco, não podia errar, não podia distrair-se, não podia tropicar, não podia rir de si mesmo sob pena cruel da retirada do amor. Então, o instinto de autossobrevivência do homem entrou em standby por segurança. Eriçou os pelos das costas, retesou os músculos e colocou seu hiper foco no bicho atrás do arbusto que sim, agora ele tinha absoluta convicção de que era uma crítica. Entendam, o homem não podia deixar que ela crescesse dentro do peito e desenvolvesse mandíbulas fortes e cheias de dentes e avançasse sobre o pequeno bicho indefeso que ele não podia ser. O homem estava ameaçado. O homem precisava contra-atacar. Li uma vez em um livro do bió...

Adorei seu texto.... sensível sem ser piegas, parabens!
ResponderExcluirObrigada Kiki pela presença. Beijo safado.
ExcluirEntre um email tenso, uma planilha e um formulário meio preenchido, me deparo com o seu texto lindo, enquanto o dia começa tão nublado qto as cores de amanhecer que invadem nossas almas reprimidas e, ainda assim, repressoras...
ResponderExcluirÉ, somos, sem perceber, é foda.
ExcluirNanna querida, busquei seu texto após nossa conversa na festinha...coincidências à parte, tenho pensado muito nesta questão de repressão, que sua amiga colocou...como é difícil nos desprendermos desse comportamento, não é? Mais uma vez, adorei seu texto...
ResponderExcluirFabi, ontem falamos com Celina sobre um casal de amigos homossexuais. Falei com ela que a gente escolhe quando cresce se quer namorar menino ou menina. Ela riu. E não doeu nada em mim. Acho que realmente não me importo. Mas só acontecendo pra gente saber, né? Obrigada por ler. Bjooo
ExcluirOi Senhorita Safo,
ResponderExcluirSeu texto lindo me colocou lágrimas em meus olhos. Eu fui um menino efeminado e hoje sou um rapaz efeminado. Quando eu era criança, eu saía na rua com a bolsa de minha mãe e por vezes colocava alguma de suas roupas. Sabe, eu fazia aquilo sem pensar. Eu não conhecia a maldade do mundo. Eu apenas era eu. Comecei então a ser xingado na rua por ser efeminado e até hoje as pessoas me xingam. Minha vida é que nem um inferno. O mundo é muito mau para mim. :'(
Sou um cara sensível, delicado e admito que adoraria ser uma menina. Sonho com esse mundo que você fala no post: sonho no dia em que em algum lugar eu poderei ser eu em um belo vestido, maquiado, livre, solto e feliz. Lá Deus vai me amar do jeito que eu sou. *
Obrigado por "escutar" esse meu desabafo.
Meu caríssimo, procure bem procurado a delícia de ser quem você é. Este homem menina que assusta tanto. E tenha pena, e perdoe estes que xingam porque ficamos agressivos quando não damos conta. Para todos, afeminados ou não, haverá poucos que nos amam de verdade e verdadeiramente valem a pena. Para mim sua menina é bem vinda. Beijo.
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