O Macaco Nu
O homem viu atrás do arbusto o que parecia muito ser uma possibilidade de crítica. Entendam, uma crítica pode ser um bicho pequeno, mas pode não ser e devorar a gente. A crítica no subterrâneo do homem não era um bicho pequeno. Ela estava ligada ao impossível pressuposto de que ele, talvez também um bicho muito pequeno, não podia ser fraco, não podia errar, não podia distrair-se, não podia tropicar, não podia rir de si mesmo sob pena cruel da retirada do amor. Então, o instinto de autossobrevivência do homem entrou em standby por segurança. Eriçou os pelos das costas, retesou os músculos e colocou seu hiper foco no bicho atrás do arbusto que sim, agora ele tinha absoluta convicção de que era uma crítica. Entendam, o homem não podia deixar que ela crescesse dentro do peito e desenvolvesse mandíbulas fortes e cheias de dentes e avançasse sobre o pequeno bicho indefeso que ele não podia ser. O homem estava ameaçado. O homem precisava contra-atacar. Li uma vez em um livro do bió...

Essa chuva vai passar.
ResponderExcluirTá demais esse texto. Um quê de Clarice Lispector. Deu ao mesmo tempo uma melancoliazinha e uma esperança. Obrigada, querida, por compartir desse seu dom. Beijo.
ResponderExcluirmais uma... acho que alguém se dividiu e reencarnou em nós duas!!! hahaha! até isso! acho que até os meus 17 anos, talvez mais, talvez menos, eu brincava de fingir que era supersticiosa e dizia para os meus amigos que se eu não visse o sol nascer no primeiro dia do ano, temia que ele não nascesse!!!! e essa adolescente que vc vê, sou eu! hahahahaha!
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