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ATENTA!

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Atenta! É quando se enverga o corpo com mais força no rumo da felicidade que as costas doem. Batata. Faz tempo vinha planejando uma felicidade pra mim: um momento em que tudo seria redondo de acordo com a curva do desejo. Foi a hora chegar, adoeci... Este texto agora pode ser lido na íntegra no novo livro da Senhorita Safo.  Disponível a partir de 12/03/2016 no site das melhores livrarias.

Pelas desigualdades

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Parem a casa, senhoras e senhores, que eu quero descer. Fui enganada, iludida e quero descer. Fiz duas escolas simultaneamente: um curso superior e um técnico e trabalho desde os dezessete. Nunca me foi sugerido que eu pudesse trabalhar menos que um irmão meu. Nunca me foram oferecidas prerrogativas do sexo frágil para me esforçar menos. Sim, caríssimos jurados, eu carreguei latas de tinta quando precisei pintar meu primeiro apartamento e hoje avanço madrugada afora para entregar um trabalho, às vezes nos finais de semana. Este texto agora pode ser lido na íntegra no novo livro da Senhorita Safo.  Disponível a partir de 12/03/2016 no site das melhores livrarias.

História Emprestada - P. e a Espera Eterna

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A borboleta distraída de repente vem lhe visitar. Atrevida, avança janela adentro com seu colorido estupidamente lindo e voa daqui e dali e sai e volta, e ela imóvel, boquiaberta, refém do passeio iluminado do bicho. Há tempos P. espera a borboleta final, definitiva, e já começava a desbotar sua esperança. Mas ela veio e dança atarantada diante dos seus olhos famintos. Este texto agora pode ser lido na íntegra no novo livro da Senhorita Safo.  Disponível a partir de 12/03/2016 no site das melhores livrarias.

Mulher Baixa

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Sentada no restaurante, ouço o homem à minha frente. Não é o homem, é minha baixa autoestima de novo jantando comigo. Mostra sua boca desdentada e faminta, seus olhos fundos e baços, se agarra às minhas roupas com os dedos magros tentando me puxar para o chão.  Fico assustada diante dela, minha baixa autoestima que acreditei ter deixado para trás em algum divã de psicanalista. Este texto agora pode ser lido na íntegra no novo livro da Senhorita Safo.  Disponível a partir de 12/03/2016 no site das melhores livrarias.

Leva meu medo, filha

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Filha leva meu medo que tá frio, que tá escuro, leva meu medo que você é pequena e o mundo é mal. Filha leva o casaquinho e o medo do meu olhar. Minha boca te diz vai, mas ouve de fato os meus olhos. A pupila dilatada acima do meu sorriso falso que diz: você não dá conta. Leva o meu medo, filha, e faz ele virar seu. Este texto agora pode ser lido na íntegra no novo livro da Senhorita Safo.  Disponível a partir de 12/03/2016 no site das melhores livrarias.

O Estupro - Última Parte

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Autor Desconhecido (continuação do post anterior) A brecha na represa rápida abria seus lábios. A borboleta do amor pousa onde não se imagina. Os braços do homem em cruz comprimindo suas costas, a boca presa à sua, a enlouquecedora fricção das peles, rasgaram em definitivo a barragem do medo e trouxeram do fundo escuro do rio uma explosão de energia.  A onda de prazer avançou sobre o corpo de Cecília feito tsunami encharcando cada célula. Instintivamente, ela se agarrou ao estranho como a uma âncora. Seu grito espatifou-se nas paredes e um coração bateu louco em cada ouvido.                            Pouco depois um gemido, o corpo dele estremeceu sobre o dela, e estava feito. O líquido quente espalhou-se, lançou espermatozoides no espaço, avançou pelas trompas, molhou o rosto do útero, lavou a alma, fecundou o inconsciente, engravidou o futuro. O corpo dele sobre o dela tornou-se subitamente f...

O Estupro - Penúltima Parte

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(continuação do post anterior) Pausa. Aqui é preciso contar que Maria Cecília teve muitos homens e, desde o primeiro, todos ela seduziu. Às vezes sem saber que seduzia, às vezes despudoradamente, como uma prostituta a trabalho. Muitos quiseram guardá-la, desde o primeiro, desde o pai. Mas Cecília escapou sempre entre os dedos que apertaram. A sedução era seu vício e sua jaula. Vendia-se compulsivamente aos homens, nunca se entregava. Ao lado do pai amargurado e do ator de teatro aos prantos, tantos outros remendando seus cacos depois que ela partia. Talvez eu esteja até sendo injusta. Talvez mulher nenhuma nesse mundo mereça um estupro. Mas, lá no fundo, insiste a ideia de que não havia mesmo outra forma de profundamente tê-la. Porém, é fácil filosofar com a crueldade dos autores que sempre se salvam quando é ela que está sendo violentada e não eu. Submetida pela força, restou a Maria Cecília gritar palavrões imundos contra o desconhecido. A cada estocada violenta, ela reagia ...