Coragem cenográfica
A coragem do extremista é cenográfica. Serve só ao espetáculo. Coragem de gritar ódio em direção à muralha da própria bolha que sempre vai devolver-lhe o eco. E até quando explode abraçado a uma bomba, ele é o que menos se arrisca, protegido pelo conforto de habitar um universo simplório dividido entre o bem e o mal. Poupado pela preguiça emocional de poder ser indiscutivelmente do bem. Preservado pela ideologia que ele transformou em redoma inexpugnável. O extremista nunca corre riscos de verdade porque nunca corre o risco de se expor à verdade do outro. É o mais assustado dos seres, onde o medo fez sua melhor obra. A coragem mesmo está naqueles que se arriscam na metade do caminho onde os mísseis dos dois lados caem e são capazes de parar de correr no meio do estouro da sua própria manada. E abrem mão do espetáculo para trabalhar no terreno mais anônimo, menos midiático, menos imediato, menos lucrativo da construção de pontes. * * Às vezes me falam pra descer do muro. Eu vim destruir...

Lindo.
ResponderExcluirEu larguei a psicologia no segundo ano e fui fazer artes cênicas, gerando uma verdadeira crise familiar! Para a minha família a psicologia era bem preferível ao teatro...
ResponderExcluire sobre mais essa coincidência em nossas trajetórias, eu nem vou comentar... rs
Wow, N., as duas últimas frases bateram. Muito.
ResponderExcluirPorque é que a mãe da gente sempre quer nos empurrar para o mais fácil (ou não!) e óbvio? Tenho quase 40 anos e ouço a minha mãe falando sobre concursos públicos. E às vezes, como você, penso se ela não tem razão. Enfim, quero é mesmo ser feliz!
ResponderExcluirBeijo