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Quem é você?

Quem é você? Pergunto à jovem senhora que me olha no espelho. Não preciso de fama, preciso saber a que ela veio. Desculpe, não é totalmente verdade: fama e reconhecimento ainda me distraem, ainda me fazem perder tempo. Tanto chão andado e escorrego de novo para o palco do refletor apagado. Quero que a luz artificial do refletor me revele e me signifique. E não vai dar certo. Algo de emocionalmente lúcido em mim sabe: não vai dar certo. Não preciso de fama, mas quero. Não preciso de refletor, mas quero. Sinto-me abandonada com uma vela acesa na mão, sobre o palco exposto... e venta. Sempre venta demais enquanto não entendo a que ela veio. A luz diminuta e frágil da vela só me irrita. Posso acender mais velas, mas o vento pode soprar mais forte. Peleja infernal do ego. Se eu tivesse um refletor...! Se Deus me concedesse um refletor...! A jovem senhora me olha muda e enigmática no espelho: serena, me sinto ridícula diante dela. Esperneando feito uma pirralha no corredor da loja de brinquedos, inconformada porque papai não vai me dar a Barbie Estrela Com Refletor. Magoada, não pela falta de reconhecimento, mas pela falta do reconhecimento que acho que merecia. O reconhecimento que eu quero. Incapaz de abrir mão dele definitivamente. Ciente da minha estupidez infantil, mas fiel a ela, devota ao meu chororô contra Deus, o mundo, o destino, esta encarnação de merda. Fugindo, feito rata, da imensa jovem senhora serena entronada em meu espelho. Querendo ser pequena e chorona sob a desculpa de não poder ser grande. Sem entender o que é ser grande. Abandonando milhares de vezes as demandas mesquinhas do ego e voltando pra buscar. Prostrada diante da caixa enganosa da Barbie Com Refletor enquanto meu pai me estende a mão carinhosamente e enquanto ela me espera no espelho. Serena, mesmo no escuro. 
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Mostrei pra Mariska Michalick que me contou que gosto mesmo é de ficar chorando com o refletor apagado e a vela na mão, tomando conta pra ninguém acender a luz. Fica aqui a luz que ela me deu.
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