O Macaco Nu
O homem viu atrás do arbusto o que parecia muito ser uma possibilidade de crítica. Entendam, uma crítica pode ser um bicho pequeno, mas pode não ser e devorar a gente. A crítica no subterrâneo do homem não era um bicho pequeno. Ela estava ligada ao impossível pressuposto de que ele, talvez também um bicho muito pequeno, não podia ser fraco, não podia errar, não podia distrair-se, não podia tropicar, não podia rir de si mesmo sob pena cruel da retirada do amor. Então, o instinto de autossobrevivência do homem entrou em standby por segurança. Eriçou os pelos das costas, retesou os músculos e colocou seu hiper foco no bicho atrás do arbusto que sim, agora ele tinha absoluta convicção de que era uma crítica. Entendam, o homem não podia deixar que ela crescesse dentro do peito e desenvolvesse mandíbulas fortes e cheias de dentes e avançasse sobre o pequeno bicho indefeso que ele não podia ser. O homem estava ameaçado. O homem precisava contra-atacar. Li uma vez em um livro do bió...

Lindo.
ResponderExcluirEu larguei a psicologia no segundo ano e fui fazer artes cênicas, gerando uma verdadeira crise familiar! Para a minha família a psicologia era bem preferível ao teatro...
ResponderExcluire sobre mais essa coincidência em nossas trajetórias, eu nem vou comentar... rs
Wow, N., as duas últimas frases bateram. Muito.
ResponderExcluirPorque é que a mãe da gente sempre quer nos empurrar para o mais fácil (ou não!) e óbvio? Tenho quase 40 anos e ouço a minha mãe falando sobre concursos públicos. E às vezes, como você, penso se ela não tem razão. Enfim, quero é mesmo ser feliz!
ResponderExcluirBeijo